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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Patrick fala sobre Save Rock And Roll,Courtney Love,Folie á Deux e Soul Punk





Em turne pelos EUA com seu quinto album, o 'Save Rock And Roll', Fall Out Boy esta escrevendo melhor do que voce sente desde 2001. Com participaçoes especiais de Elton John,Foxes, Courtney Love e Big Sean e flertando com generos musicais como o hair metal, dubstep e disco, seu primeiro album desde o hiato em 2009 é sem duvidas o mais ambicioso. O album alcançou a segunda posição na parada australiana ARIA em Abril e deixou muitos confusos por seu ti­tulo divertido. O vocalista e guitarrista Patrick Stump fala sobre sua opinião sobre o estado atual da musica, Courtney Love, explica porque seu album solo foi uma reação a uma morte em sua fami­lia e porque ele ainda está feliz em ser o menino exemplar desgastado.

Como foram os primeiros shows com a banda após gravarem o Save Rock And Roll?
Os primeiros shows foram, de forma geral, uma surpresa. Primeiramente, nossa qui­mica juntos foi reenergizada de uma forma que eu não esperava e a plateia tambem era muito diferente. Eles estavam fervorosos e eram fãs novos, a maioria nunca tinha visto um show nosso. Nós estavamos esperando tocar para muitos fãs antigos, mas estranhamente acumulamos uma nova quantidade de seguidores durante o hiato. Eu tinha voltado a minha vida quieta nos suburbios então um culto de seguidores em ascensão era novidade para mim.

Voce falou brevemente sobre a era do CBGB (uma casa de shows em Nova York), que era uma epoca invejavel para a musica e o ti­tulo do album é um pouco disso. Voce pode elaborar um pouco sobre porque esse album é uma reação ao estado atual do rock and roll?
Falando sobre a era CBGB, eu diria que o que me deixa mais entusiasmado sobre isso não é apenas o advento do punk rock, todas as facetas da música na época (disco, hard rock, new wave, garage rock, country, cantores e compositores, programadores, e depois as crescentes cenas eletronica e do hip hop, até mesmo o rock mais melódico e sonolento, etc) pareciam estar necessitando de novidades. Voce pode olhar para os empresarios que usavam o mesmo corte de cabelo durante toda a vida adulta e por alguma razão naquele momento resolveram usar costeletas. Foi uma época louca. Mexer em albuns daquela epoca é como assistir uma explosão em camera lenta. Hoje em dia, eu sinto que o mundo da musica evoluiu de uma forma animadora. Mas em algum lugar do passado, por tras do resto da inovação, esta o rock and roll, que esta se tornando cada vez mais uma musica de herança. Parece que nós assumimos que rock é uma coisa que surgiu de forma completa com o peito cabeludo de Robert Plant dirigindo uma Harley e bebendo uma cerveja. Isso torna tudo datado e coisas estaticas são uma droga. Há uma diferença entre ensinar receitas antigas de pão para uma nova geração para que elas coloquem seu proprio jeito nela e deixar uma massa velha se tornar uma colonia de bacterias só porque voce a amava. é sufocante. Então, com relação ao ti­tulo do album, sim, é um pouco de brincadeira vinda de quatro nerds do suburbio. No entanto, nós de fato queremos ouvir o rock fazendo movimentos tão insanos como quando o Blondie tentou fazer rap, o Clash tocou batidas de break, Ramones tentaram soar como uma banda de garotas e Elvis Costello tocou reggae (apenas alguns albuns antes de tocar country!). E, se ninguem mais tentar, nós iremos tomar a frente e fazer um álbum louco com Elton John e Big Sean.

A colaboração com Courtney Love foi uma grande forma de lembrar de mulheres jovens que são icones do rock and roll. Para voce, o que mais se destacou durante as gravações com ela?
Courtney é uma mulher concentrada, voce tem todo o tipo de força feminina de uma vez só quando ela está por perto. Ela é maternal e infantil. Cinica e sincera. Flertante e fria. Genia contida e mani­aca como um canhão fora de controle. É bem insano estar perto dela, mas é fantastico pelo mesmo motivo. Eu diria que minha coisa preferida sobre trabalhar com ela foi como ela se misturou com nossa letra, eu sinceramente não consigo dizer onde a nossa começa e a dela termina. A sintonia dela com a nossa banda pequena e boba foi muito boa.

Soul Punk pareceu ter sido um projeto muito importante que voce precisava lançar. Olhando para tras na sua carreira solo, houve alguma coisa sobre o Fall Out Boy que voce sentiu que voce não deu o devido valor?
Foi muito importante, sim. A versão mais curta que eu posso dar é que eu estava lidando com uma morte na familia muito perturbante, mas eu não me sentia (e não me sinto) confortável em dar nomes… Então eu tive que achar uma forma de esconder isso em metáforas e sintetizadores. Eu não conseguia fazer o tipo ''cara vulnerável com uma guitarra', então eu fiz um album funk. Voce sabe, uma escolha obvia.
Com relação ao Fall Out Boy, eu acho que eu não dei valor a nada! Eu tenho vergonha de admitir isso, mas eu fiz sem ter consciencia, é claro. No entanto, eu penso que a experiencia como um todo foi importante. Acho que eu realmente precisava ter a responsabilidade de ser o encarregado de um projeto, mas tambem ser rejeitado por isso. Foi importante para meu crescimento como artista… até aquele ponto em que quase tudo que eu lançasse fosse aceito pelos nossos fãs mas creditado a outra pessoa pelo público (Pete). Eu meio que acidentalmente me escondi atrás dele e permiti que ele levasse muito crédito, mas principalmente os golpes da imprensa também. Quando fizemos a turne do 'Folie a Deux' foi a primeira vez que nosso fãs olharam especificamente para mim como dizendo 'Patrick, por favor! Nos salve dessa musica horri­vel que voces estão tocando!' Enquanto isso eu ficava tipo 'Hum… eu… eu gosto dessa música horri­vel. Eu escrevi essas músicas novas horri­veis.'
Eu levei isso ainda mais a fundo com o projeto solo. Enquanto muitas pessoas gostaram, um grupo grande de fãs rejeitou fortemente. Me fez entender como o Pete se sentia enquanto eu me escondia atrás dele mas, de uma forma estranha, eu também percebi o quão amado o Fall Out Boy era. Quando as pessoas gritavam 'Seu album solo é uma droga!' eu aprendi que era secretamente uma forma deles pedirem por mais Fall Out Boy.

Nos dois primeiros albuns, o Fall Out Boy tem uma sensação de meninos exemplares desgastados. Inevitavelmente voces se livraram disso, mas há algumas faixas em que pessoas que estão passando por uma fase complicada podem se identificar. Voce ainda passa por emoções similares as do periodo de'Take This To Your Grave'?
Ah, com certeza. Acho que estamos mais em sincronia com as emoções dos dois primeiros albuns do que dos outros dois, principalmente porque não somos mais os brinquedos novos reluzentes. Quando escrevemos 'Take This To Your Grave' (2003) e 'From Under The Cork Tree'(2005), não havia muitas pessoas que se importassem ou que tivessem qualquer tipo de expectativas sobre nós. Quando escrevemos 'Infinity on High' (2007) e 'Folie a Deux', Pete não podia andar na rua sem paparazzi o perseguindo. Eu, eu era aquele de quem falavam quando precisavam fazer uma piada atual na época sobre gordos. Foi uma época muito estranha para nós e é claro que nós meio que nos perdemos. Ficou dificil escrever sobre vidas normais quando nós não estavamos vivendo assim. Agora estamos nesse ótimo lugar onde as pessoas conhecem nossas musicas e querem ver os shows, mas não se importam com nossas vidas pessoais. Entrevistadores pararam de me perguntar por qual cantora ou atriz eu tenho uma queda e ao inves disso perguntam como eu tomei certa decisão artistica ou o significado de alguma letra. As alegrias dos seus vinte e poucos anos contra o final da adolescencia! Eu amo isso. Eu posso ser tão sarcastico quanto eu quiser. No entanto, eu não invejo os integrantes do One Direction (risos). Tudo isso nos permitiu voltar a ter uma vida apropriada. Agora meio que entendemos que as pessoas que mandamos se ferrar na nossa adolescencia são muitas vezes as mesmas pessoas que voce acaba tendo que ver pelo resto da vida. Tivemos que aprender a engolir isso. Esse álbum por completo é como aquele garoto exemplar desgastado dando um aperto de mão educado com a ex-namorada. De alguma forma um 'que legal te ver' é mais brutal do que 'se ferre para sempre'.

Fonte: Eventfinder


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